Personalidades
Inha Schönwald

Ela demonstra certa timidez e recato, o que só evidencia ainda mais o seu charme e elegância. Com belos olhos azuis, esguia, a bela senhora Inge Schönwald de Oliveira pode ser, aos 77 anos, considerada a ceciliana de nascimento mais antiga do bairro. E com muito orgulho!

Dona Inha, como todos a conhecem é filha de Helga e Fritz Schönwald e nasceu em 30 de novembro de 1931, quando ainda chamavam a principal via de acesso à região de Beco da Fortuna. Por sinal, no Beco da Fortuna, quase não havia moradores, somente o solidário vizinho João Barulho (que deu origem ao nome “Beco do Barulho” pela gritaria com sua junta de bois), e que emprestava a junta de bois para que sua família arasse a terra que mais tarde viria a ser uma das maiores plantações de rosas e mudas de árvores frutíferas do estado.
Sobre a sua infância, Dona Inha afirma que foi muito boa, sempre com a visita de primos e parentes.
“Fazíamos casas e ranchos nas árvores. Tinha muito mato e nossa família também plantava melancias”. Mas segundo ela, as melhores eram as que “roubavam” da plantação do João Barulho.

Depois na juventude, gostava mesmo era de participar dos famosos bailes da Escola Técnica, a ETA, nos anos 40. Desta época traz boas recordações dos ranchos da ETA.
Casada há 50 anos com Cristóvão Campos de Oliveira – representante comercial aposentado – vive num belo chalé, construído num pedaço remanescente do que foi um dia a fazenda produtora das mais belas rosas, cercada de lembranças de um belo projeto de agricultura, que nos anos 60 chegou a exportar sua produção até para a Europa.
Seus filhos e netos são a alegria no chalé da Vovó Inha: Ricardo, 54 anos, fruto de seu primeiro casamento e Cristina, 49, mãe de seus três netos: Fernando, 22 e os gêmeos Cristiano e Juliana de 20 anos.

Sua arte: a Tapeçaria
Dona Inha lembra que herdou a habilidade de tecer na convivência com sua mãe e suas tias, fazendo bordado, tricô, crochê e da antiga cultura em fazer os enxovais para as moças. Mas foi também nas revistas alemãs de artesanato que buscou inspiração para desenvolver sua arte.

Por sua capacidade técnica, virou professora de tapeçaria, sendo voluntária no Colégio Metodista de Porto Alegre. Como artesã, Dona Inha é muito modesta e avessa às badalações, por isso não participa de muitas exposições e feiras, mas lembra com carinho da exposição que participou na comemoração dos 250 anos de Viamão. Ceciliana convicta, esta viamonense nata não desanima e diz ter muita fé no desenvolvimento e no progresso da Vila Cecília, que um dia foi o pedaço mais colorido e perfumado de Viamão.

E pra finalizar lembra com humor o que significa o seu sobrenome alemão, Schönwald: Schön (bonito) + Wald (mato) = Bonito Mato. Justamente o que os Schönwald encontraram na Cecília!